Riqueza ou Felicidade: Qual Vem Antes?
Dinheiro, propósito e família: o que a análise junguiana revela sobre o caminho para uma vida rica e feliz

Para ser feliz é preciso ter dinheiro? Ou riqueza nenhuma compra felicidade? Ou uma coisa depende da outra? Em mais de 12 mil horas de consultório, já ouvi as três respostas, e cada uma vinha de alguém com boas razões para pensar assim.
O que esses anos de consultório me mostraram é simples de dizer: todo mundo busca a felicidade, e dentro da felicidade já estão as riquezas de que precisamos. Já a riqueza material, sozinha, não traz a felicidade junto. É sobre isso que quero falar aqui.
Dois lados da mesma procura
Atendo pessoas de todos os níveis. Tenho analisandos com muito dinheiro, sem nenhum problema financeiro, que chegam ao consultório atrás de um sentido para a vida, de entendimento e até de felicidade nos relacionamentos. E tenho analisandos que contam moedas para pagar a sessão. Para eles, a terapia vale cada centavo, porque é nela que descobrem as riquezas da vida.
No dois casos são pessoas que procuram a mesma coisa, e isso diz muito sobre onde a felicidade mora.
Três histórias de quem enriqueceu
Tem três histórias que gosto de contar. A primeira é a de Geraldo Rufino, que saiu da favela, enfrentou desafios enormes e enriqueceu. A segunda é a de um amigo que, como eu, começou como ajudante em uma empresa. Acompanhei o processo dele de perto, e hoje ele está muito bem materialmente.
A terceira história é a minha. Fui analfabeto até os 15 anos e hoje sou analista junguiano, com mais de 12 mil horas de atendimento. A minha riqueza é entender e atender as pessoas, e me considero uma pessoa feliz. Encontrei a felicidade na riqueza do conhecimento que conquistei ao longo da vida.
O que essas histórias têm em comum é um alinhamento interno. Para enriquecer e ser feliz, precisamos nos alinhar com a nossa libido, com o nosso propósito, que vem de dentro. Esse propósito é uma disposição que todos nós temos. Quando deixamos de copiar o caminho dos outros e criamos um só nosso, a riqueza e a felicidade ficam ao alcance de todos.
O Brasil e a vitrine das redes sociais
Copiar o caminho dos outros nunca foi tão fácil, e isso tem muito a ver com o momento que vivemos no Brasil, um país que consome redes sociais em enorme quantidade. As redes foram feitas para que cada um edite a própria vida e conte uma versão que muitas vezes não é a sua, porque ali não sobra espaço para mostrar vulnerabilidade. Cada pessoa fica na sua bolha, contando uma história que nem sempre é verdadeira.
Com isso, gastamos energia que poderia ser usada para encarar a realidade do país e criar, dentro dela, condições de prosperar. Muita gente fica esperando virar influenciador, ganhar dinheiro fácil em jogos ou receber um milagre de um governo X, Y ou Z. Essa distração atrapalha principalmente os jovens a construírem uma vida mais rica.
O que a análise mostra
Do ponto de vista analítico, tanto para a riqueza quanto para a felicidade, o que mais atrapalha o avanço é a fidelidade ao sistema familiar, que é uma forma de pertencimento. Sair do nível socioeconômico da família de origem traz, de início, a ideia de exclusão, e as pessoas resistem. Existe aí uma barreira psicológica.
No caso da felicidade, muita gente não se sente merecedora de ser feliz. Todos carregamos uma criança ferida, que guarda dores que nunca teve a chance de expressar. Enquanto essa dor continua sem ser dita, a pessoa não consegue sustentar uma felicidade verdadeira, porque seria falso. Como se sentir feliz por inteiro, se por dentro existe uma tristeza que ainda não foi escutada?
Nos dois casos, a análise ajuda a entender que romper com o sistema familiar não significa abandonar a família. Na prática, nada precisa mudar: você pode continuar perto dos seus familiares, visitar e conviver com ele. O rompimento acontece por dentro. Você se liberta do modelo, sem precisar se afastar das pessoas.
Quando a pessoa se liberta desse modelo e dá voz à criança que ainda tinha algo a dizer, abre-se espaço para o propósito dela aparecer. E é a partir desse propósito que a riqueza e a felicidade passam a caminhar juntas.
Então, o que vem antes?
Respondendo à pergunta do título desse artigo, para mim a felicidade vem antes. Quem se alinha com o próprio propósito encontra, nesse caminho, as riquezas de que precisa para ser feliz, sejam elas materiais, de conhecimento, de relações ou de sentido. A riqueza material, sozinha, não traz a felicidade com ela. A felicidade verdadeira, sim, já traz as riquezas necessárias.
Fica o convite para você pensar em três perguntas. O caminho que você está seguindo é seu ou foi copiado de alguém? Você está sendo fiel a um modelo da sua família que já não combina com quem você é hoje? E que dor da sua infância ainda espera para ser escutada?
Se alguma dessas perguntas mexeu com você, a análise individual pode ser o lugar para respondê-las.
Vamos conversar.
Quando nos alinhamos com o próprio propósito, fica uma pergunta: o que a vida está pedindo para você? É sobre isso que vamos conversar no próximo artigo. E se este texto mexeu com você, deixe seu comentário, porque os comentários também entram no próximo artigo.
Cloves Caroba, Analista Junguiano "Entender a causa muda tudo" | Atendimentos Online





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